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  • Arid
    13.05.2022—30.07.2022
    INAUGURAÇÃO: 12.05.2022



    Vista geral da exposição "Arid" de Stan Van Steendam

    UMA LULIK__
    

© Bruno Lopes





    Saunter, 2022

    Pigmentos, pó, terra, gesso e resina epóxi sobre madeira
    126 x 106 x 16 cm
    

©Bruno Lopes





    Vista geral da exposição "Arid" de Stan Van Steendam

    UMA LULIK__
    

© Bruno Lopes





    Cane, 2022

    Verniz, pó, gesso, pigmentos e resina epóxi sobre madeira
    180 x 190 x 21 cm
    

©Bruno Lopes





    Peer, 2022

    Pigmentos, pó, terra, gesso e resina epóxi sobre madeira
    143 x 124 x 16,5 cm
    

©Bruno Lopes





    Vista geral da exposição "Arid" de Stan Van Steendam

    UMA LULIK__
    

© Bruno Lopes





    Arid é uma exposição de Stan Van Steendam que apresenta três obras ocupando as paredes da galeria e estabelecendo um diálogo em torno de um lugar de transição. Cruzando densidade e rarefação, vibração e contenção, o aberto e o encoberto, Stan Van Steendam indaga sobre a constituição da pintura numa operação que se concretiza entre o corpo de um objeto e a sua superfície pictórica.

    Explorando uma lógica de deposição em que a natureza dos materiais, o contexto e o modo de os trabalhar ditam as imagens e as formas que lhes são inerentes, as obras desenvolvem-se na horizontal, numa mesa de trabalho, próximas do corpo do artista. Sobre uma base de madeira que afirma um ponto inicial, Van Steendam aplica pigmento, gesso e pó recolhido nas imediações do seu atelier. Nesse processo, o tempo e a gravidade criam uma lógica de estratos, que tanto expressa uma vontade como um acaso e marca um caminho que se faz entre a composição e o acontecimento.

    A obra de maior dimensão, Cane (2022), dá-nos a ver uma pintura / objeto de natureza ambiental e contemplativa que demarca um centro e uma auréola circundante. Pedindo a atenção do observador, a obra expressa uma existência quente, seca e baça, revelando subtilmente os dedos e os gestos que lhe deram leitura. Nela, a cor respira, a forma muda e altera-se a certeza da sua geometria subjacente. Na aproximação que solicita e no fazer que lhe é intrínseco, a obra pede e emana um tempo lento que convoca uma ligação e uma disponibilidade crescente. Na afirmação da sua presença e na gravitação do nosso olhar, o trabalho habita um espaço intermédio entre o que se esconde e o que se revela, o que nos chama e o que se afasta.

    As outras duas obras na exposição, Saunter (2022) e Peer (2022), assumem um formato retangular que rapidamente associamos ao universo da pintura. Nelas, a face principal é revestida por uma camada de resina epóxi que sela a superfície e torna a textura homogénea. Contrariamente ao exemplo anterior, a expressão dos lados assume aqui maior intensidade, revelando o processo de trabalho e as suas especificidades. Saunter e Peer são lidas como uma sequência de etapas, com topos dialogantes, em que uma apresenta um vinco, e outra um sulco. Em ambos os casos, quando a resina fecha a composição, o brilho veda a respiração da base, reflete o olhar e permite uma mais rápida apropriação que é, simultaneamente, mais distante.

    No conjunto das três obras, seja na espessura lateral das camadas, nas manchas e linhas que ocupam a superfície, no brilho que acelera a devolução do olhar, ou na bacidez que convida a perscrutar em profundidade, a articulação das formas gere uma apreensão que se quer instável e fugidia. Entre o que se esconde e o que é sugerido, entre a máscara e a explanação, cada parte reorganiza(-se) (n)a constituição do conjunto. Desse modo, entre o propósito e o resultado, entre o arbítrio e a consequência, numa entidade que existe entre o corpo e a superfície, Van Steendam investiga a leitura de um estado intermédio, de fácil empatia e difícil circunscrição.
    Na verdade, a gestão desse delicado equilíbrio é fruto de um estado em que a natureza dos elementos e a presença do artista coincidem num todo. Nesse sentido, as obras respondem à vontade da dimensão física que lhes é intrínseca, mas também à intuição do artista, movida na proximidade de um processo meditativo. Uma espécie de ambiência mútua, interior e exterior, intensa e árida, como a luz inebriante da manhã.

    – Sérgio Fazenda Rodrigues



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